A hora das finanças do bem PIN

Há um crescente compromisso do sistema financeiro, em todo o mundo, em trabalhar estratégias de ação climática, como a compensação de carbono. A proposta é que todas as práticas das instituições que possam emitir CO2 para a atmosfera sejam neutralizadas, através do incentivo a ações que reduzam essa emissão.  É a vez das finanças do bem.

O Bradesco firmou compromisso de descarbonizar suas carteiras de investimento até 2050

O primeiro banco brasileiro a aderir a esse movimento foi o Bradesco, que anunciou o compromisso de descarbonizar as carteiras de crédito e investimento até 2050 ou antes, com clientes e empresas investidas, de forma a atingir o Net-Zero

Em 2008, a instituição financeira deu o pontapé colocando em prática o Plano Diretor de Ecoeficiência, um programa de gestão com propósito de analisar e estabelecer essas iniciativas e métodos para reduzir os impactos ambientais. É dessa forma que o banco define as estratégias de compensação. 

“É a principal diretriz de gestão ambiental do Bradesco. O Plano orienta sobre a evolução da estratégia da organização para a busca da melhor definição das metas a cumprir, das iniciativas que devem ser implementadas para que sejam alcançadas e como monitorar os resultados obtidos. Constantemente renovado e aprimorado, o Plano contempla metas absolutas anuais de redução do consumo de água, energia, papel, combustível e redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE)”, diz o  superintendente executivo, Marcelo Sarno Pasquini. 

Desde 2019, o banco é 100% neutro e, a partir do último ano, evoluiu no engajamento com o futuro, se comprometendo a compensar as emissões dos escopos 1, 2 e 3, que contemplam responsabilidades de forma direta e indireta, utilizando, também, energia renovável nas estruturas de forma exclusiva.  

Floresta e energia

Nos últimos anos, o Bradesco selecionou energias renováveis e preservação florestal para a compensação de suas emissões, visando o cenário global. A longo prazo, foram firmados contratos com plataformas de compensação, que possibilitam ao banco a escolha do tipo de projeto que vai utilizar. 

Ainda de acordo com Marcelo Sarno, outras metas foram estabelecidas para que a instituição financeira pudesse ter redução em suas próprias emissões. “Considerando as emissões dos seus negócios – conhecidas como categoria 15, Emissões Financiadas do Programa GHG Protocol – o Bradesco é o primeiro no Brasil a mensurar e publicar as emissões de CO2 decorrentes das suas operações de empréstimos e financiamentos de 100% do portfólio dos clientes pessoa jurídica, seguindo a metodologia e estimativas setoriais estabelecidas pela Partnership for Carbon Accounting Financials (PCAF)”, observa o superintendente. 

Ampliação de oferta de crédito para fontes de energia renovável, como a eólica, estão entre as medidas adotadas pelo sistema financeiro do Brasil

Um dos próximos passos é aprimorar essa mensuração e traçar estratégias de investimento nos setores para a agenda, alinhadas ao compromisso Net-Zero, que tem a previsão de definição e divulgação de metas em até 18 meses, para os setores de carbono intensivos e para os demais, em até 36 meses.
 

Um dos pontos principais dessa iniciativa sustentável é o propósito de engajar e apoiar os clientes, para que eles possam promover uma economia mais limpa e voltada às mudanças climáticas dentro de seus negócios. Para isso, o banco oferece assessoria financeira e não financeira focada, principalmente, no financiamento de projetos de geração de energia renovável, que vai de grandes projetos até os de pessoa física. 

O Bradesco acredita que essas ações, que estimulam o ambiente de negócios, a inclusão da sociedade e as demandas prioritárias da agenda climática, estão fortalecendo as condições necessárias para o crescimento sustentável no país. “Alguns resultados importantes já estão aparecendo. Há um universo crescente de clientes comprometidos com a agenda e engajados em promover e contribuir com aspectos climáticos, pessoas e empresas que enxergam no Bradesco um parceiro estratégico para implementação dessa agenda tão relevante”, conclui Pasquini. 

Fintech ESG

O Nubank, uma fintech brasileira, que surgiu com a proposta de ser 100% digital e já com baixa emissão do gás, por exemplo, é outra das instituições a adotar iniciativas com essa finalidade. A empresa se compromete a obter processos que cooperem com as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).

“Para isso, nos juntamos a três projetos no Brasil e um projeto no México – países onde o Nubank tem clientes – que, a partir de suas atividades, geram créditos de carbono que compensam nossas emissões”, disse a instituição em nota no site. 

A Nubank apoia projetos que neutralizem emissões de carbono no Brasil e no México

Esse formato funciona da seguinte forma: as empresas que obtêm o certificado e evitam desmatamento ou usam um tipo de energia, como a solar ou eólica, geram esse crédito. Ele é medido na quantidade de CO2 que deixou de ser gerado pelas ações ambientais investidas e pode ser negociado diretamente com as empresas ou por meio da bolsa de valores. 

Entre os projetos que o banco digital está investindo e apoiando há os das fábricas de tijolos que substituem o uso da lenha de vegetação nativa por biomassa, estabelecidas em Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. Outra iniciativa apoiada pelo Nubank está localizada no México, a qual oferece fogões eficientes para famílias em condição de pobreza, também com a proposta de diminuir o uso da lenha. 

Carbono zero até 2050 

Neutro em carbono desde 2020, o Banco Santander anunciou neste ano que pretende alcançar a emissão líquida zero de carbono em todo o grupo até 2050. O objetivo não é somente para as atividades do conglomerado, mas, sim, extensivo a clientes de qualquer serviço financeiro, investimento ou de assessoria que disponibiliza. 

A decisão está alinhada aos objetivos do Acordo de Paris para combater as mudanças climáticas. Para isso, o banco já publicou os primeiros passos para o processo de descarbonização, como deixar de prestar serviços financeiros, até 2030, a clientes com geração de energia elétrica que dependa de mais de 10% de carvão térmico. Outra intenção é eliminar toda a sua exposição à mineração de carvão térmico.  

“As mudanças climáticas são uma emergência global. Somos um dos maiores bancos do mundo, com 148 milhões de clientes, e por isso temos a responsabilidade e a oportunidade de apoiar a transição ecológica e incentivar pessoas e empresas a serem mais sustentáveis. Ainda há muito a fazer, mas os compromissos que anunciamos hoje são um grande avanço”, afirmou Ana Botín, presidente do Banco Santander. 

Negócios como usinas de energia solar devem ser beneficiados por essa onda de investimentos verdes

A empresa divulgou que, para esse projeto, conta com equipes especializadas em ESG e criou um plano de compensação de emissões de carbono, com projetos que receberam certificados por cumprir padrões internacionais reconhecidos. As atividades são: energia eólica “Oaxaca III”, no México; a reflorestação de Guadalajara, na Espanha; a central hidrelétrica “Salto Pilão”, em Santa Catarina; o projeto de redução das emissões de N2O em Krefeld, Alemanha; e a recuperação do gás no vertedouro Bluesource de Spartanburg, na Carolina do Sul, EUA.  

O Santander também é membro fundador da Net-Zero Banking Alliance (NZBA), um acordo criado pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEPFI). A ideia é apoiar o setor financeiro em um modelo de economia que seja zero carbono, entregando as metas do Acordo de Paris.  

Plataforma de compensação de carbono 

O Itaú, em parceria com os bancos internacionais, Canadian Imperial Bank of Commerce (CIBC), National Australia Bank (NAB) e o Grupo NatWest, anunciou no mês de julho a criação de uma plataforma própria de compensação de carbono, o Project Carbon.  

O projeto tem como proposta viabilizar o acesso ao mercado de carbono voluntário e a adoção de protocolos internacionais para iniciativas de compensação. A plataforma também surge para facilitar a transparência em relação aos créditos.  

Em nota, o banco afirma que o projeto vai funcionar como um “marketplace para negociação de créditos de carbono”, podendo ter divulgação ao mercado sobre as vendas e valores na plataforma.  

“Estamos comprometidos com o desenvolvimento de produtos e serviços alinhados com as necessidades do mercado e da sociedade, somos movidos pela confiança e pela transparência e focamos na sustentabilidade do nosso negócio. Os mercados voluntários de carbono complementam os esforços de redução de emissões de carbono em nível global, para alimentar uma economia de baixo carbono”, disse, em nota, Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco. 

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp