Criptomoedas verdes são opções sustentáveis para mineração PIN

Um estudo realizado pela Universidade de Cambridge, em 2021, apontou que fazer a mineração de criptomoedas durante um ano pode ter um consumo de energia elétrica superior ao de um país como a Argentina. Uma transação em bitcoin usa 290 quilos de CO2, o mesmo que o envio de 72 mil e-mails, um milhão de buscas no Google e o consumo de 120 mil horas de vídeos no YouTube.

Os dados são reflexo da dinâmica da mineração, que demanda computadores de alta capacidade, com uso constante de internet e energia elétrica. Essas práticas resultam em emissão de carbono e gases de efeito estufa.

Criptomoedas sustentáveis, como a Nano, são opções que vão contra essa realidade. A blockchain – rede que opera criptomoeda – não depende de mineração e tem uma das pegadas de carbono mais baixas. Para conseguir as moedas digitais, ela executa um mecanismo de Votação Representativa Aberta (ORV, na sigla em inglês), onde cada transação é votada pelos usuários.

Outra criptomoeda ecológica é a IOTA (MIOTA) – palavra que denomina a nona letra do alfabeto grego e, no sistema numérico grego, tem o valor de 10. Apesar de não ser o tipo que alguns perfis de investidores, devido suas oscilações, preferem, em contrapartida é uma das mais resistentes aos ataques hackers, podendo, também, fazer transações offline, com baixo nível de consumo de energia, através do Consenso Probabilístico Rápido.

“A nossa cripto consegue processar 600 milhões de transações para a mesma quantidade de energia gasta em uma única transação de bitcoin. Pelo que sabemos, isso é até 10 vezes menos energia que o nano”, explicou Rafael Presa, market developer da Iota Foundation.

A rede Algorand também é uma alternativa. A empresa fez uma parceria com a ClimateTrade, uma fintech espanhola, que utiliza soluções com base na tecnologia blockchain, para auxiliar companhias nos objetivos de sustentabilidade, em busca de ser uma blockchain neutra em carbono.

Segundo o fundador da Algorand, Silvio Micali, a parceria serve para continuar um trabalho que já acontece na empresa e redobrar os esforços voltados para o meio ambiente. “A Algorand experimenta a adoção acelerada e a expansão da rede. Como este período de grande crescimento continua, achamos essencial operar em um nível de carbono negativo. Na verdade, o crescimento sustentável é bem melhor do que o crescimento”.

A plataforma usa o Proof-of-Stake, de forma escalável e segura, para validar os blocos e não envolve mineração. O mecanismo de Pura Prova de Participação (PPoS) também é uma prática que traz sustentabilidade ao DNA desse ativo digital, não sendo necessário um consumo muito elevado de energia elétrica.

A fintech, Block4, gerencia plataformas de colecionáveis digitais (TiBs), mas utiliza uma tecnologia chamada WAX. Dentro dos protocolos de blockchain, os TiBs estão em redes mais limpas, já que a WAX emite menos de 0.001% da pegada, em comparação de redes como Bitcoin e Ethereum. Dentro desse processo, a emissão é compensada, com os TiBs se tornando carbono neutro.

“A WAX é mais rápida, robusta, escalável, barata e sustentável, por isso, cada vez mais projetos estão escolhendo utilizar essa rede. Isso nos permite democratizar os NFTs, oferecendo preços acessíveis e com impacto ambiental zero”, afirma Thiago Canellas, CEO da Block4.

Em NFTs de jogos, o processo também se torna sustentável, por não exigir que equipamentos fiquem ligados a todo momento, ou de uma pessoa para manusear para que a mineração aconteça. Os softwares agem de maneira autônoma.

Processo da mineração

Para essa execução, cada minerador precisa solucionar desafios em blocos numéricos criados pelo blockchain e, quando resolvidos, ele recebe as criptomoedas, como bitcoin, por exemplo. No entanto, para que essa mineração possa acontecer, é fundamental o investimento em hardware potente para otimizar o processamento dessas operações.

De acordo com o desenvolvedor de sistemas e jogos, Rodolfo Moraes, a cada registro na blockchain, é gerado um processamento por parte dos servidores da rede. É nesse registro que opera um alto consumo de energia para girar os componentes dos servidores.

Criptomoedas
Cryptocurrency coding digital black background open-source blockchain concept

“Se você for pensar no minerador, quanto mais placas de vídeos ele tiver, mais poder de processamento ele tem e mais criptomoedas ele irá conseguir minerar e, consequentemente, mais energia ele precisará para poder suprir essa necessidade. Se a energia da casa dele vem de alguma usina de carvão, por exemplo, mais energia essa usina terá que entregar para poder chegar na casa desse minerador, logo gera mais queima de carbono”, explicou.

Fazendas de mineração

A pauta da mineração começou ficar ainda mais em alta, em 2021, após a declaração de Elon Musk a respeito dos pagamentos em bitcoin para a Tesla. O CEO se recusa a receber através da criptomoeda, argumentando o aumento do uso de combustíveis fósseis, devido à mineração.

Os investimentos para extrair as moedas virtuais em grande quantidade acontece nas fazendas de mineração, que são aglomerados de computadores focados em resolver as questões matemáticas. Essas minas estão migrando para países onde a energia elétrica é mais barata.

Nos últimos três anos, o Irã identificou atividades ilegais em fazendas de mineração, além de um aumento no consumo de energia elétrica. O país que disponibiliza o uso de forma gratuita para mesquitas e prédios governamentais viu, em 2019, imagens de fazendas ilegais dentro de mesquitas. O Cazaquistão também verificou ilegalidade em fazendas no país e fechou 106 delas, após identificar figuras políticas e empresariais por trás da mineração e localidades sem aprovação regulatória.

O fundador do site Digiconomist, Alex De Vries, comentou que o consumo de energia geralmente é de fonte não renovável, mas não é o único risco ao meio ambiente a se considerar. “Também são utilizadas grandes quantidades de hardware; há o gasto com a produção desses equipamentos e, como grande parte dos aparelhos fica obsoleta em poucos anos, intensifica-se a quantidade de lixo eletrônico a longo prazo”.

Esse consumo exagerado de energia impacta, além do excesso de carbono, o alto gasto de água, a partir das hidrelétricas, o aumento na rapidez da acidificação dos oceanos, por conta dos gases poluentes e, claro, aceleração do aquecimento global, com CO2 e contribuição para o efeito estufa.

Cerca de um ano depois da decisão de recusar bitcoin, a Tesla fechou parceria com as empresas BlockStream e BlocksContudo, para um projeto de mineração sustentável e consciente. A operação vai ser feita com 100% de energia fotovoltaica. Conforme o anúncio da parceria, a BlockStream comentou a ansiedade na construção.

“Estamos empolgados em compartilhar a instalação de mineração Bitcoin de código aberto e totalmente movida a energia solar que Blockstream e Blocks, Inc. estão colaborando está programada para ser equipado com um painel fotovoltaico Tesla Solar de 3,8 Megawatts (MW) e um Megapack de 12 Megawatts-hora (MWh)”.

“Se você for pensar no minerador, quanto mais placas de vídeos ele tiver, mais poder de processamento ele tem e mais criptomoedas ele irá conseguir minerar e, consequentemente, mais energia ele precisará para poder suprir essa necessidade. Se a energia da casa dele vem de alguma usina de carvão, por exemplo, mais energia essa usina terá que entregar para poder chegar na casa desse minerador, logo gera mais queima de carbono”,

Thiago Canellas, CEO da Block4

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